Finalmente recebi o livro, pude desfolhá-lo e ... gostei!!
Os desenhos estão mais pequenos, mas mais nítidos e gostei sobretudo da inclusão dos comentários.
Sinceramente sinto-me orgulhoso, é que já passaram 4 anos desde a data em que o escrevi!
Como não podia deixar de ser, tem uma gralha, no verso da primeira folha fala em 1ª Edição, quando a própria capa chama a atenção para o facto de se tratar da 4ª edição!!
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
sábado, 7 de dezembro de 2013
10º Aniversário
Dez aninhos!! Como o tempo passa!!
Fantástico estarmos aqui e estarmos juntos. O Alex está impecável e aqui vão duas fotos do momento!
Fantástico estarmos aqui e estarmos juntos. O Alex está impecável e aqui vão duas fotos do momento!
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
4ª edição = Como começa!
Prefácio
Por
Dr. Emanuel Furtado
Responsável
pelo Programa de Transplantação
Hepático
Pediátrico nos H.U.C.
Lutar até Viver é o testemunho impressionante do
percurso de luta pela vida, de uma criança, desde tenra idade, gravemente
doente. É o relato das venturas e desventuras de quem passa meses no ambiente
hospitalar, acompanhando um filho com doença hepática terminal, com notável
expressão simultaneamente da realidade factual e do turbilhão de sentimentos e
pensamentos que a acompanham. A leitura do texto coloca-nos dentro da história
e faz-nos sentir sucessivamente, o embate do diagnóstico e a percepção do
gradual, mas rápido, agravamento da doença; a brutalidade e risco da única
opção terapêutica e a agonia da espera por um órgão; a complexidade da decisão de doar parte do
próprio fígado em vida e a surpresa de afinal não ser necessário fazê-lo; a
paragem do tempo no dia do transplante e a estranha alegria que acompanha o
regresso do bloco operatório, de uma criança escondida no meio da parafernália
de instrumentação; a alegria do primeiro passeio no jardim do hospital e a da
alta hospitalar; a angústia que rodeia qualquer intercorrência e a repulsa que
causa qualquer perspectiva de novo internamento; as modificações
comportamentais que condicionam todos estes acontecimentos na vida familiar e
os receios pelo futuro;
É
também uma reflexão breve e prática sobre aspectos que importam à sociedade –
doação de órgãos após a morte e em vida, política de afectação de recursos à
saúde, problemática da negação de seguros a doentes crónicos ainda que com
excelente esperança de vida – na perspectiva de um pai com formação jurídica e
envolvido na actividade seguradora;
Admiravelmente
enriquecido pelos textos, plenos de sentimento, da mãe, e pelas gravuras das
irmãs, Inês e Patrícia.
De
leitura fácil, convirá, seguramente, a outros pais que, por infortúnio da
Natureza, hajam de passar por similar provação, contribuindo para o seu
esclarecimento e preparação, mantendo sempre a esperança, dado o seu tom
permanentemente positivista.
Aos
profissionais de saúde fornece a perspectiva de quem está “do outro lado”,
conhecimento imprescindível na procura
da melhoria dos cuidados que prestamos aos nossos pacientes.
Não
sei se um agradecimento se enquadra formalmente num “prefácio” mas não resisto
a agradecer – e estou certo que a mim se juntam muitos dos profissionais que
cuidaram do Vitinho, nas várias instituições por que passou – a recompensa que
nos ofereceu ao escrever:
“Quando o vemos no meio das
brincadeiras com os outros miúdos, o mais fantástico é que o Vitinho é
efectivamente uma criança que não se distingue das outras. Corre, joga futebol,
grita, é traquina e ninguém consegue perceber pelo que passou.”
Emanuel
Furtado
Nota
preliminar
Todas as pessoas aparecem citadas
pelos seus verdadeiros nomes. Ainda assim, tentarei preservar alguma discrição
e por isso, com duas ou três excepções, irei omitir os seus apelidos. Obviamente
que quem ler o livro e conhecer os ambientes em questão, perceberá de imediato
quem são as pessoas citadas. Espero que as mesmas não me levem a mal por isso e
a todas elas o meu sincero agradecimento por terem tornado tudo possível.
…//…
Em 2004 ‘o mundo’ da transplantação
hepática era-nos completamente desconhecido.
Entrámos neste meio por causa do
transplante hepático do nosso filho e ficámos a conhecer uma vertente da
medicina muito nobre e desconhecida da sociedade em geral.
Entretanto, ao longo dos meses
fomo-nos apercebendo das virtudes, das insuficiências e de algumas particularidades.
Recentemente, o programa de
Transplantação Hepático Pediátrico (TRH) passou por algumas dificuldades que
poderiam ter custado a sua continuidade em Coimbra e em Portugal, pois apenas
em Coimbra se fazem transplantes hepáticos pediátricos. Hoje, graças à
HEPATURIX muita coisa tornou-se pública através dos jornais, das rádios e das
televisões. Tudo isto mostrou ao país uma realidade desconhecida de todos,
mesmo de alguma classe médica!
A HEPATURIX é uma associação de jovens
transplantados e com doenças hepáticas crónicas e nós, os pais que a fundámos,
tivemos um papel determinante na defesa da “Escola de Coimbra” criada há 15
anos pelo Sr. Prof. Alexandre Linhares Furtado e hoje liderada pelo seu filho o Dr. Emanuel Furtado!
Felizmente que o Dr. Emanuel Furtado
manteve-se connosco e à frente do programa TRH. Hoje, passados mais de dois
anos e meio sobre essa “crise”, continuamos com algumas preocupações, mas pelo
menos o programa funciona!
Assim têm-se salvo algumas vidas
“pequeninas”, porque nem todos os casos teriam resposta no estrangeiro, como
aliás se verificou nessa altura com o envio de uma criança para Madrid e que
acabou por ser transplantada em Portugal.
Como entretanto a transplantação
hepática deixou de ser notícia pelas “piores” razões, apercebi-me que o assunto
tem tido tendência a esbater-se. Ao poder político e a quem decide, espero que
o livro sirva pelo menos para relembrar que é necessário investir na formação
de mais cirurgiões!
Espero também que este seja um
testemunho útil para todos aqueles que tenham a infelicidade de passar por um
processo idêntico! Aos outros, ficará apenas a história…
A nós tinha-nos feito muito bem se
tivéssemos acedido a um testemunho deste género na altura certa! Por imperativo
moral supri agora essa falta, era o mínimo que poderia fazer, só espero tê-lo
conseguido com a qualidade mínima desejável!
O diminutivo Vitinho foi o nome que os
médicos e enfermeiros “baptizaram” o nosso filho e por isso é esse o nome
utilizado neste livro, embora para ele o nome soe um pouco a estranho….
Vitor Raimundo Martins
Nota
à quarta edição:
O Vitor Alexandre já fez 9 anos ... e
9 anos e 3 meses de transplante! Nunca nos referimos à idade de uma pessoa
contando os meses, mas no caso dos transplantados é usual essa prática! O
Vitinho é uma criança saudável, alegre e acabou de passar para o 5º ano.
Posteriormente ao referido na
"nota preliminar" muitas coisas aconteceram! A legislação em Portugal
mudou, ampliando o leque dos dadores e no blog do livro http://lutarateviver.blogspot.pt/
acompanhei os diversos dramas vividos quando o Dr. Emanuel Furtado saiu para o
Instituto de Oncologia de Coimbra e o programa de transplantação hepático ficou
suspenso. Algumas crianças tiveram de
ser enviadas para Madrid e tudo se complicou! Fomos assaltados por medos,
terrores, fantasmas e nunca mais me esquecerei dos telefonemas das Mães que
estavam em Madrid, do desespero e especialmente de uma menina cujo drama vivi
muito de perto e em que tudo se perdeu!
Desde o seu lançamento este meu livro
provocou muitos comentários simpáticos e por isso irei partilhar alguns deles!
Chamo a V/ atenção para o testemunho de uma Mãe do outro lado do Atlântico a
quem tive a honra de dar "aquele abraço" a Prof.ª Luciane Canha, cuja
filha a Madu foi transplantada com sucesso e sobreviveu a um processo muito
dramático!
Concluo esclarecendo algo que me
perguntaram muitas vezes, a maioria dos desenhos da Inês foram feitos quando
ela tinha apenas 13 anos. Hoje a Inês é estudante de "arte e design"
e teve uma evolução admirável!
Vitor Raimundo Martins
Ovar, Outubro de 2013
Um
comentário especial que me chegou do Brasil
Um dia recebi um mail de uma Mãe de Santa Maria, Rio Grande do
Sul, a Luciane que me pretendia comprar um livro directamente, pois não o
conseguia comprar pela Net por estar sempre esgotado!! Entretanto trocámos alguns mails, mas a sua
filha a Madu ia piorando cada vez mais e a situação começou a ficar
desesperante! Um dia a Luciane enviou-me este comentário:
"Muito obrigada por suas palavras. Confesso que já considero
um milagre ter encontrado o seu blog na internet, pois a história do seu filho
é o que está me dando forças para lutar e não desistir. Fiquem com Deus. Até
mais."
Logo percebi que era
urgente fazer chegar o "Lutar até Viver" à Luciane, mas uma arreliadora greve dos
correios estava a atrasar essa entrega! Era nessa altura que o livro era
preciso e se o Blog já estava a ajudar a Luciane, então muito mais importante
seria a contribuição do livro! Mais tarde recebi um mail desesperado e coloquei
no meu Blog o pedido para todos rezarmos pela Madu porque sabia que as coisas
estavam muito complicadas! Até tinha medo de ler o correio e o silêncio
tornou-se atroz, mas quando a Madu foi transplantada, todos ficámos
maravilhados porque tinha-se repetido o milagre e a Luciane percebeu como
ninguém, tudo o que escrevi e como o senti!
Há
dias e a propósito desta quarta edição a
Luciane mandou-me este mail:
"Vocês foram a força que eu precisava e tenho certeza que o
Vitinho e a Madu são especiais e nós, os pais, fomos abençoados com a
oportunidade de evoluir e repensar a vida. Hoje não tenho medo de perder a
Madu, tinha medo de não ter tempo de dar a ela a chance de fazer o transplante,
hoje vivemos intensamente cada sorriso, cada palavra, cada descoberta que ela
faz. Se tenho a oportunidade de
viajar, viajo, aproveito cada minuto como se fosse único. Devo isto ao seu
livro pois sem a esperança que ele me proporcionou não sei se teria a mesma
coragem que tive. Não lhe contei na época mas no dia em que a Madu entrou em
coma e o transplante não pode ser feito os médicos se reuniram para me dizer
que ela não iria sobreviver e precisaria fazer hemodiálise mas era muito
difícil pois ela estava muito debilitada....neste dia eu me ajoelhei na frente
de toda a equipe e pedi como nunca havia pedido nada na minha vida que
salvassem minha filha mesmo que no fundo eu mesma (talvez por ser engenheira e
muito realista) achasse que seria difícil a sua salvação. Acho que neste dia
algo mudou em mim e no mundo a minha volta....os médicos tentaram a hemodiálise
mas não conseguiram e ela foi entregue a Deus (...). Pois neste dia em que
literalmente ela foi entregue a Deus um médico amigo da família levou a ela uma
medalha de Nossa Senhora das Graças, rezou e saiu do quarto (eu não era e nem
sou uma católica fervorosa mas passei a acreditar em milagres). Naquela noite
ela parou de urinar sangue...no dia seguinte os médicos disseram que ela mordeu
o tubo (ela estava entubada) e resolveram trocar a medicação....dois dias
depois eles conseguiram fazer a hemodiálise, o transplante ocorreu e o resto
você sabe: nossa Madu nunca precisou fazer hemodiálise após o transplante,
recuperou-se bravamente e hoje é uma criança feliz e inteligente."
Termino
este pequeno texto de homenagem à Madu e aos seus Pais, fazendo uma vénia ao
Eduardo Alberto, primo da Madu, que na altura do transplante tinha apenas 23
anos e que se ofereceu como dador-vivo
(ou doador-vivo como se diz no Brasil). Não é fácil descrever em poucas
palavras tudo o que envolve uma decisão destas e as barreiras que se têm de
ultrapassar, nomeadamente os chamados "comitês de ética", etc, etc,
etc! Boa Eduardo, grande Eduardo!!
Outros
comentários:
É um livro que nos revela a nós os médicos, o outro lado do
processo e que nem sempre compreendemos! Todos os alunos de medicina deveriam lê-lo!
Prof. Linhares Furtado - por ocasião do lançamento do livro na FNAC - Coimbra. Primeiro cirurgião a realizar transplantes hepáticos pediátricos em Portugal, que criou o programa de transplantação pediátrico nos HUC e o criador da técnica dos transplantes sequenciais (vulgo dominó) em adultos.
Prof. Linhares Furtado - por ocasião do lançamento do livro na FNAC - Coimbra. Primeiro cirurgião a realizar transplantes hepáticos pediátricos em Portugal, que criou o programa de transplantação pediátrico nos HUC e o criador da técnica dos transplantes sequenciais (vulgo dominó) em adultos.
O
livro está bem escrito e é por isso de leitura muito agradável. Não tem pretensões
de academismo literário. Não é uma escrita pretensiosa ou moralista. O texto
brota quase espontaneamente do coração do Pai, com incisos da alma da Mãe.
Prof. Daniel Serrão - Professor Universitário, escritor, ...
Prof. Daniel Serrão - Professor Universitário, escritor, ...
Fiquei
em lágrimas, página sim, página não. Acabei de conhecer uma família
excepcional, fico feliz por isso. Vou continuar a ler, mas ainda bem que já sei
que teve um final feliz.
Zilda Cardoso – Escritora
Espero sinceramente que este livro continue a tocar muitas pessoas e a vender muitos exemplares, para que outras crianças e outros jovens sejam apoiados na sua luta pela vida!”
Laurinda Alves – Jornalista/Escritora
Depressa o devorei dado o interesse do tema e a forma cativante como está escrito e ilustrado – um impressionante testemunho de luta pela vida com Amor, Sofrimento e sempre com Fé. É o retrato de muitas vivências de doentes (hepáticos, renais e cardíacos) e seus familiares, por mim partilhada ao longo do meu percurso profissional nesta área. Os tais “SOS” de que fala, fazem-nos sofrer demasiado… O lutar pelo “Anónimo” cuja vida depende de um órgão, tem sido percurso nem sempre fácil, que envolve trabalho e sofrimento, mas compensador. Exemplos como o vosso, incentivam-nos a prosseguir esta luta, mesmo em momentos que nos apetece desistir… Obrigado pela força que nos conseguem transmitir e com que nos sentimos recompensados. Obrigado pelo vosso excelente contributo para a causa da Doação/Transplantação do nosso País. Será sobretudo uma ajuda preciosa para familiares e doentes em situação similar.
Parabéns pela vossa coragem nos vossos depoimentos vestidos de tanta riqueza humana, pela vossa solidariedade, enfim pela “Grande Família” que são.
Que Deus vos ajude e compense pelo bem que fazem para com o próximo.
Com um abraço amigo.
Ana Maria Calvão Silva - Responsável pelo Gabinete Coordenação Colheita Orgãos e Transplante dos Hospitais Universidade Coimbra
Ainda sinto aquela pressão no peito, o estrangular na garganta e lágrimas
teimosas nos olhos. A coragem de exporem as vossa feridas, o vosso íntimo, é
notável. Vai, concerteza, ser útil a todos os que esperam transplante, agora e
no futuro. Vai também, despertar consciências. Transmitirá também, aos
profissionais de saúde que ainda não têm essa sensibilidade, o que vai na alma
dos pais das crianças doentes. É um livro de linguagem clara e precisa, que
transmite muita emoção e sofrimento. E a
descrição é de tal maneira real e sensível, que parece que a “história” é a de
cada um de nós.Zilda Cardoso – Escritora
Espero sinceramente que este livro continue a tocar muitas pessoas e a vender muitos exemplares, para que outras crianças e outros jovens sejam apoiados na sua luta pela vida!”
Laurinda Alves – Jornalista/Escritora
Depressa o devorei dado o interesse do tema e a forma cativante como está escrito e ilustrado – um impressionante testemunho de luta pela vida com Amor, Sofrimento e sempre com Fé. É o retrato de muitas vivências de doentes (hepáticos, renais e cardíacos) e seus familiares, por mim partilhada ao longo do meu percurso profissional nesta área. Os tais “SOS” de que fala, fazem-nos sofrer demasiado… O lutar pelo “Anónimo” cuja vida depende de um órgão, tem sido percurso nem sempre fácil, que envolve trabalho e sofrimento, mas compensador. Exemplos como o vosso, incentivam-nos a prosseguir esta luta, mesmo em momentos que nos apetece desistir… Obrigado pela força que nos conseguem transmitir e com que nos sentimos recompensados. Obrigado pelo vosso excelente contributo para a causa da Doação/Transplantação do nosso País. Será sobretudo uma ajuda preciosa para familiares e doentes em situação similar.
Parabéns pela vossa coragem nos vossos depoimentos vestidos de tanta riqueza humana, pela vossa solidariedade, enfim pela “Grande Família” que são.
Que Deus vos ajude e compense pelo bem que fazem para com o próximo.
Com um abraço amigo.
Ana Maria Calvão Silva - Responsável pelo Gabinete Coordenação Colheita Orgãos e Transplante dos Hospitais Universidade Coimbra
A ilustração da Inês é verdadeiramente fantástica!
Obrigada por partilharem, e pela coragem de tornar pública, a vossa vivência
Tereza Larisch - (Mãe de uma criança transplantada)
Pela sua leitura compreendi que é um homem com uma enorme força interior e que
acredita que quando desejamos algo fortemente, e principalmente com muita
dedicação, esse algo acaba por acontecer. Talvez não logo quando o desejamos,
mas, mais cedo ou mais tarde, o que tem de acontecer, acontece. Obrigada por partilharem, e pela coragem de tornar pública, a vossa vivência
Tereza Larisch - (Mãe de uma criança transplantada)
Os meus votos das mais bonitas realizações para si e para toda a sua família e
principalmente os meus desejos de que o seu Vitinho continue de boa saúde.
Luís Portela - Presidente BIAL
Luís Portela - Presidente BIAL
Escrevo-lhe este e-mail após ter lido o seu livro “Lutar até Viver”. Começo
por me identificar: Alfredo Mota, Director do Serviço de Urologia e
Transplantação Renal dos Hospitais de Universidade de Coimbra, cargo no qual
sucedi ao Prof. Linhares Furtado, em 2003, que acompanhei desde o inicio do
nosso programa de transplante renal em 1980, e com o qual colaborei nos
primeiros transplantes hepáticos. Gostaria de lhe transmitir a minha mais
profunda admiração pela batalha que a família Martins travou pelo seu filho o
Vitinho, verdadeiro herói de toda esta saga e que tão bem retratada é neste seu
livro. O vosso testemunho real e vivido com tanto amor e fé deve ser divulgado
porque constitui uma verdadeira lição. O vosso testemunho é de grande
importância porque nos traz a visão de pessoas fora da área da medicina que
sentiram e viveram esta problemática. É dar a conhecer uma realidade que poucos
conhecem. Por exemplo, se tivessem lido o seu livro, provavelmente os pais de
um jovem de 15 anos falecido nos HUC, no mês passado, devido a acidente, não
teriam violentamente recusado a colheita dos órgãos do seu filho para
transplante. Este triste episódio permite-nos apercebermo-nos da complexidade
de algumas destas situações, do seu melindre e das difíceis condições em que
por vezes é necessário decidir, porque estão vidas em jogo. Longa e feliz vida
para o Vitinho, que com grande probabilidade dentro de alguns anos, adquirida a
tolerância ao enxerto, dispensará os medicamentos imunossupressores e deixará
de ser um doente crónico. Para os pais e irmãs, alicerces fortes dessa família,
muita saúde e muitas felicidades. Os valores, as convicções e a fé são um
património dos felizes por isso julgo que a sua Ligia é uma pessoa feliz, como
o demonstraram as lágrimas que verteu na peregrinação a Fátima. Obviamente que
o marido que tem uma mulher assim também o é de certeza.
Envio à família Martins o testemunho comovido da minha admiração
Alfredo Mota - Responsável pelo Serviço de Urologia e Transplantação Renal dos HUC
Envio à família Martins o testemunho comovido da minha admiração
Alfredo Mota - Responsável pelo Serviço de Urologia e Transplantação Renal dos HUC
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
TSF Grande Reportagem - "nascer outra vez"
A TSF irá emitir na próxima 5ª feira dia 03/10 uma reportagem com crianças transplantadas de várias patologias, sendo uma delas o Vitor Alexandre. O programa será repetido noutros dias, ocorrendo a primeira repetição no Domingo às 12:10.
Trata-se de outra forma de ver a transplantação, uma forma positiva, porque normalmente os transplantes pediátricos só são notícia quando as coisas correm mal!! Neste caso, nós na Hepaturix estamos verdadeiramente agradecidos à Noémia Malva Novais por mostrar este mundo maravilhoso da vida que nasce no aproveitamento de um órgão que ... não foi enterrado!
No Brasil, no dia 27/09 celebrou-se "o dia do dador de órgãos e tecidos" e realmente fiquei impressionado com a dinâmica que as redes sociais têm nesta matéria. Uma das frases que retive foi esta da Isaura Nedochetko da Silva :
BOM DIA MEMBROS DO NOSSO GRUPO.
Enterrar orgãos saudáveis é como enterrar algo muito valioso.
Não enterre orgãos, transplante-os.
No cemitério eles não servem pra nada
Transplantados, salvam vidas
Esta reportagem da TSF, mostra-nos esta grande verdade, um órgão é demasiado precioso para ser desperdiçado, enterrando-o!! As vidas destas crianças, de muitas outras crianças, de jovens e de milhares de adultos dependem de não se deitar fora estes bens preciosos.
Concluo este 'post' citando novamente a Isaura que reproduz uma determinada publicidade - "não pense na doação de órgãos como oferecer uma parte de você pare que um desconhecido possa viver. Na realidade é um desconhecido que oferece seu corpo para que parte de você continue vivendo".
Acresce referir que esta publicidade no Brasil tem toda a lógica, pois lá ao contrário de cá, não existe a RENNDA, ou 'registo de não dador'. Cá em Portugal quem não quer ser dador é que tem de o declarar, no Brasil é ao contrário, embora nos casos dos "dadores-vivos" a lei brasileira seja mais liberal.
Para quem nos lê no Brasil e não conhece a TSF, trata-se de uma das principais rádios portuguesas.
Trata-se de outra forma de ver a transplantação, uma forma positiva, porque normalmente os transplantes pediátricos só são notícia quando as coisas correm mal!! Neste caso, nós na Hepaturix estamos verdadeiramente agradecidos à Noémia Malva Novais por mostrar este mundo maravilhoso da vida que nasce no aproveitamento de um órgão que ... não foi enterrado!
No Brasil, no dia 27/09 celebrou-se "o dia do dador de órgãos e tecidos" e realmente fiquei impressionado com a dinâmica que as redes sociais têm nesta matéria. Uma das frases que retive foi esta da Isaura Nedochetko da Silva
Enterrar orgãos saudáveis é como enterrar algo muito valioso.
Não enterre orgãos, transplante-os.
No cemitério eles não servem pra nada
Transplantados, salvam vidas
Esta reportagem da TSF, mostra-nos esta grande verdade, um órgão é demasiado precioso para ser desperdiçado, enterrando-o!! As vidas destas crianças, de muitas outras crianças, de jovens e de milhares de adultos dependem de não se deitar fora estes bens preciosos.
Concluo este 'post' citando novamente a Isaura que reproduz uma determinada publicidade - "não pense na doação de órgãos como oferecer uma parte de você pare que um desconhecido possa viver. Na realidade é um desconhecido que oferece seu corpo para que parte de você continue vivendo".
Acresce referir que esta publicidade no Brasil tem toda a lógica, pois lá ao contrário de cá, não existe a RENNDA, ou 'registo de não dador'. Cá em Portugal quem não quer ser dador é que tem de o declarar, no Brasil é ao contrário, embora nos casos dos "dadores-vivos" a lei brasileira seja mais liberal.
Para quem nos lê no Brasil e não conhece a TSF, trata-se de uma das principais rádios portuguesas.
terça-feira, 17 de setembro de 2013
Lutar até Viver - Livraria Cultura
Quando recebi a indicação da "Chiado Editora", a informar que o Lutar até Viver estava cadastrado na "Saraiva", nem me apercebi que no mesmo mail também se indicava a "Livraria Cultura"!
http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=42124593&sid=19624115315917672327840381
Fica aqui a correcção!
Na Saraiva recordo que o link é:
http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=42124593&sid=19624115315917672327840381
Fica aqui a correcção!
Na Saraiva recordo que o link é:
terça-feira, 10 de setembro de 2013
Finalmente chegámos ao BRASIL!
Estou a preparar a 4ª edição que vai ser ligeiramente melhorada com alguns comentários e críticas e com um caso que me tocou profundamente, que foi o caso da Madu que me mostrou a importância que o meu livro pode ter em determinadas situações "limite"! A distancia entre Portugal e o Brasil criou-nos um problema desesperante, mas o livro acabou por lá chegar depois de algumas peripécias!
Eis o link:
http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/3687468
E já agora um vídeo da TV para quem não nos conhece e quiser conhecer um pouco melhor "a história"...
http://videos.sapo.pt/lzsJmBgGQZ3lL6g4P3FP
Eis o link:
http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/3687468
E já agora um vídeo da TV para quem não nos conhece e quiser conhecer um pouco melhor "a história"...
http://videos.sapo.pt/lzsJmBgGQZ3lL6g4P3FP
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Boas notícias! E vem aí a quarta edição!!
Se tudo correr bem, desta vez chegará ao Brasil!
Esta quarta edição irá ser diferente! A sugestão é renovar o livro, actualizá-lo, meter alguns dos comentários que me foram chegando e dar um novo visual.
O texto é sagrado, não será mexido, mas irão haver algumas pequenas melhorias!
Vou começar a trabalhar o novo livro já esta próxima semana...
Esta quarta edição irá ser diferente! A sugestão é renovar o livro, actualizá-lo, meter alguns dos comentários que me foram chegando e dar um novo visual.
O texto é sagrado, não será mexido, mas irão haver algumas pequenas melhorias!
Vou começar a trabalhar o novo livro já esta próxima semana...
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
Entrevista Generali 2012 / Luis Ferraz Corretores
Quando é que iniciou a sua actividade na área
seguradora? Iniciei em 1990 na PFA (Preservatrice
Fonciére Assurances) e entrei na Generali (Aveiro) no dia 13/05/1992, ou seja,
estou quase a fazer 20 anos de Generali! Que razões o levaram a
dedicar-se à mediação de seguros? Foi a
implementação do projecto “Agente Principal” por parte da Companhia, porque
achei-o muito interessante e por essa razão pedi ao Sr. José Alves para me
deixar trocar o lugar de técnico-comercial pelo de Agente.
De que forma caracteriza o suporte da
Generali à sua rede de mediação? Nem tudo é
perfeito, a Generali também tem algumas fragilidades, mas quanto mais conheço
as restantes seguradoras mais gosto da Generali!! Já o digo há vários anos e
continuo cada vez mais convencido disso mesmo! O que mais lhe agrada na
sua relação comercial com a Generali? É a
proximidade entre todos, é fácil chegar a qualquer pessoa em qualquer situação
e em qualquer momento! Desde o Rogério, ao Orlando, ao próprio Dr. Santi, todos
estão sempre disponíveis, tal qual o Nuno Portovedo que é quem dá assistência
ao N/ escritório. No caso específico da Administração da Generali, convenhamos
que não é muito comum esta proximidade entre o Delegado Geral e o Mediador,
esta afabilidade que se mantém desde os tempos do Sr. Alves, foi uma saudável
herança que o Dr. Santi Cianci soube preservar.
Tem algum produto Generali de eleição? Sim, o Vida Inteira. Porquê? É um produto espectacular seja qual for a perspectiva que
o analise! Todos ganham com a sua subscrição, o Segurado contrata um excelente
seguro, o Agente ganha uma generosa comissão e a Companhia fica com uma
carteira de qualidade.
No
que respeita à sua carteira acha que esta tem o equilíbrio desejado? Penso que sim. Acabei o ano com 40% de ramo automóvel e
sempre que se fala em equilíbrio, pensamos no excesso de Automóvel e nessa
perspectiva, tendo em atenção que tenho uma grande componente de Danos Próprios
parece-me que não temos automóveis a mais, talvez até tenhamos de incrementar a
subscrição deste ramo específico.
Qual
a percepção que tem quanto à imagem da Generali na sua zona? Bastante boa e não me estou a referir exclusivamente à
cidade de Ovar, porque a N/ carteira situa-se em grande parte na região do
grande Porto.
Participou em algumas das viagens de
vencedores do concurso de produção e foi um dos vencedores do Concurso de 2011,
com destino aos E.U.A e Canadá. Como vê estes incentivos e que balanço fez das
viagens? Sou franco, fui a India/Goa como
“outsider”, depois sucedeu-se, Israel, Jordânia e Moçambique/África do Sul … e já passei a ser
visto como um “habitué”! Agora ao saber que também ganhei a viagem aos EUA e
Canadá, só posso ficar agradecido, pois as viagens têm sido espectaculares e as
mesmas ajudam a criar uma cumplicidade e um espirito de grupo “fora de série”.
Só passei a valorizar estas viagens depois de as ter ganho e por essa razão,
vejo-as agora como um excelente incentivo, uma forte motivação para fazer mais
e melhor.
Como
vê a internet ao serviço dos agentes? O que pode ser optimizado nesta
colaboração? Conheço várias plataformas de diversas
seguradoras e aquela onde me sinto mais à vontade é a da Generali, contudo
existem coisas a melhorar. Por exemplo, a informação disponível na consulta dos
processos de sinistro tem de ser diferente e isto é urgente! Há pequenas coisas
que poderiam ser aperfeiçoadas, por exemplo, com um simples clique deveríamos
conseguir emitir uma nova apólice que reproduzisse outra já anulada, ou então
chegar ao final do certificado provisório e ao aprová-lo, aparecer logo o PDF…
Enquanto Mediador e Agente Principal
Generali, quais os aspectos que considera mais importantes e fundamentais para
a satisfação dos clientes? Simpatia e competência.
Mesmo quando as coisas estão difíceis, se formos competentes e conseguirmos
mostrar um sorriso, tudo se torna mais fácil!
Como avalia o seu desempenho no último ano? Teria sido um ano brilhante se não fossem as “não
renovações”, aliás os últimos três anos foram francamente bons e com pouca
sinistralidade, embora aqui as reservas nos causem alguns calafrios, de vez em
quando! Numa perspectiva de melhoria continua, quais os aspectos que
considera que poderiam ser melhorados? Essencialmente
a prospecção, pois perco-me com papéis e deixei de ter tempo para fazer
prospecção e são os seguros novos que nos fazem crescer!
Quais são os principais desafios da Vítor
Raimundo Martins para os próximos anos? Brevemente
passarei a ser “Maxigur – Mediação de Seguros Lda”, por força da fusão do meu
escritório com o do Sr. Rui Maio. Ambos fomos colegas na Generali Aveiro e
agora com a fusão e manutenção dos dois escritórios (Águeda e Ovar), esperamos
optimizar melhor os N/ recursos e conseguir crescer bastante mais!
Como o tempo passa! Esta entrevista foi-me feita antes da viagem aos EUA do ano passado e nessa viagem recebi este prémio da Generali, o "Leão-Alado" a distinção máxima da Generali Portugal.
Depois disto já fomos a Moscovo/São Petersburgo e agora sou o responsável da "Luis Ferraz Corretores de Seguros" ( www.luisferraz-seguros.pt ) !!
Espero sinceramente conseguir honrar a memória do Sr. Ferraz!! O Sr. Ferraz era o responsável máximo da PFA Portugal e foi ele que me convidou a trocar o Crédit Lyonnais Portugal pela PFA e por isso a ele devo o meu ingresso na actividade seguradora!
sexta-feira, 26 de julho de 2013
O sonho que continuamos a viver
Perto
da 18:30 avisaram-nos que o Vitinho estava prestes
a
subir e começámos a ver uma maior movimentação, os minutos
pareciam
horas e o nosso filho nunca mais aparecia até que se
abriu
a porta do elevador e lá estava ele, o nosso herói! A
fotografia
não era propriamente entusiasmante, à excepção dos
semblantes
alegres dos que o acompanham e do próprio Dr.
Emanuel
que nos fez um rasgado sorriso e nos olhou bem nos
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nos
chegar à alma! Não precisou de falar, porque os olhos
disseram-nos
tudo, o Vitinho coitadinho, tinha tubos enfiados
por
todos os lados, nas narinas, na boca, em ambos os lados do
abdómen,
nos braços, enfim, era um bébé pequenino no meio de
uma
gigantesca parafernália de maquinetas, tubos, fios, alarmes,
etc,
etc, etc.
Apetecia
pegar-lhe e acarinhá-lo, mas ele estava sedado e
todo
aquele aparato de equipamentos inviabilizava-o.
Permitiram-nos
acompanhar o nosso filho até à U.C.I. e lá
pudemos
assistir ao cuidado e ao carinho de todos os que o iam
tratando.
Todos queriam retocar um tubo, verificar aquela
medida,
conferir as gotas do soro, olhar bem para o oxímetro, ver
o
batimento cardíaco, etc. Todos os que se debruçavam sobre o
nosso
filho, olhavam-no com admiração e se nós os pais lá não
estivessemos,
talvez se atrevessem mesmo a beijá-lo, porque o
calor
que emanavam dos corações era por demais evidente.
O
Vitinho sentiu isso, sentiu a força que todos nós lhe
demos
e agarrou-se à vida e lutou por ela até ao auge das suas
forças.
Nos
filmes animados de contos de fadas, assistimos
normalmente
à transformação dos personagens com cores belas,
suaves,
efeitos de luzes, o brilho do pó das estrelas e uma
qualquer
varinha de condão que nos vai mostrando a magia do
sonho
que nos encanta a imaginação.
Era
esse o sonho que estávamos a viver, o nosso filho
estava
calmamente a descer das estrelas e a regressar para o
nosso
seio abençoado por uma fada celestial, muito bonita e
sorridente
e que nos entregava a sua mão, com o respeito no
olhar,
num olhar que nos dizia que o tínhamos merecido!
O Dia do Transplante 26/07/2004
CAPÍTULO VI
O DIA DO
TRANSPLANTE
Carta a DEUS
– 1
Bom dia Deus,
Sei o quanto andas ocupado com a turbulência dos
homens, mas por favor escuta, olha para este ser
pequenino que
criaste à tua imagem, vê como sofre e opera o teu
milagre. Sei
que te peço muito DEUS, mas sabes o quanto ele é
importante
para nós e o que tem ainda para nos ensinar.
Ilumina as mãos dos homens e traz-lhe a saúde que
tanto
precisa.
Obrigado Deus por me escutares, estou mais atenta e
agora
sei o quanto andava distraída das coisas importantes
da vida.
Obrigado Deus
Lígia,
Hospital Pediátrico
45
No dia 23 ou 24 de Julho de 2004, não sei precisar,
ficou decidido que o “transplante com dador vivo” seria feito na semana
seguinte, em dia ainda a confirmar. No Domingo, dia 25/07/2004, ao
principio da noite, estávamos numa amena cavaqueira com
uma enfermeira, isto já com o Vitinho e a Lígia no inicio dos
preparativos, quando outra enfermeira entrou, olhou-nos timidamente
e chamou a colega. Ambas comunicaram-nos ‘cautelosamente’ para estarmos preparados, porque
“parecia” que havia um dador compatível!,Nesse momento,
algo aconteceu que mexeu com as nossas emoções,
ficámos em meditação e a Dra. Isabel veio conversar connosco! Eu
fiquei mudo, sem reacção, e a Lígia ficou muito emocionada
porque, agora que as coisas já estavam programadas, ela queria
continuar a ser a dadora, mas obviamente que tal já não seria possível!
Primeiro porque, só se é dadora uma vez na vida e assim ela
ficaria disponivel para outra altura se tal se viesse a mostrar
necessário, depois porque qualquer cirurgia envolveria riscos e o
facto de termos mais duas filhas inibia-nos sequer de questionar a
decisão. Aliás dadas as características do dador, que por respeito da
sua memória não as descrevo, seria absurdo não aceitar esse
fígado, e mesmo que o fizessemos, garantidamente que ninguém nos
ouviria! Para além de tudo isto, também eu me opunha, dadas
as circunstancias, obviamente, seria uma idiotice colocar a vida
da Lígia em perigo! Mas a reacção da Lígia era natural e compreensível! Ela sentia-se um
pouco responsável pela insuficiência do Vitinho e por isso, se a
medicina permitia corrigir “o erro”, então parecia-lhe imperioso que
fosse ela a fazê-lo!
O dia que estávamos quase a iniciar seria sem sombra
de dúvidas o dia mais longo das nossas vidas. As horas passavam muito
lentamente e nesse dia o Hospital Pediátrico estava estranhamente calmo!
Entretanto juntou-se novamente a nós a Ana Paula que fez questão de nos
acompanhar nessa fase mais crítica. Cerca das 2:00 chamaram a ambulância que
iria levar a
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Lígia e o Vitinho do Pediátrico até aos H.U.C.
Acompanhei-os de carro, mais a Ana Paula e na ambulância, acompanhou-os a Enfermeira
Helena que dificilmente conseguia suster as lágrimas. Nos H.U.C. a
tensão era evidente e fomos conduzidos ao “bloco”. A contrastar
esse sentimento, uma cara simpática e sorridente
recebeu-nos e perguntou-nos se um de nós queria acompanhar o
Vitinho lá dentro. A Lígia entrou e ao vê-los entrar, senti o
meu coração apertar, apertar, apertar… quase parecia que
estávamos a pairar sobre um precipicio que nos sugava para o
infinito. Fiquei eu e a Ana Paula naquele sítio frio, desagradável e esperámos o
regresso da Lígia. Um bom pedaço depois ouvimos umas portas a
bater, um estrondo, um som metálico e de repente apareceu-nos
uma maca com um corpo todo coberto por um lençol.
Gelámos, eu e a Ana Paula, aquele corpo era o corpo do dador. Fiquei
sem palavras e olhei com respeito para o vulto desse alguém! O
vazio da morte na esperança da vida, lágrimas que correm com
fundamentos opostos, nas nossas faces e nas dos seus
entes-queridos!
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