domingo, 14 de junho de 2026

Ao meu pai Alberto Martins, que com a 4ª classe ......

 

Ao meu pai Alberto Martins, que com a 4ª classe conseguiu ter uma vida profissional exemplar e em Luanda, a liderar a empresa F.Ramada Aços e Indústrias, provou que o mais importante no mundo dos negócios é a “palavra”, não o dinheiro!”

Esta dedicatória num dos meus livros, ao meu Pai, tem uma história que só alguns conhecem, vou agora contá-la.

Não sei precisar em que ano, mas deveria ter sido em 1970, estávamos nós em Luanda e a empresa “F.Ramada” estava a passar uma fase complicada. O seu líder máximo em Ovar, à época, era o Sr. Manuel Ramada, filho do dono e quem deu o nome à empresa, o Sr. Francisco Ramada.

O Sr. Manuel Ramada tinha pavor a andar de avião, mas a situação da empresa era crítica e por isso, lá teve que ser, e meteu-se num avião e rumou direcção, Luanda.

Lá chegado, informou o meu pai (que exercia as funções de sub-gerente), que a única solução seria reunir com o responsável máximo de um determinado Banco e tentar obter um empréstimo robusto.

Depois de vários dias e várias tentativas, a ida a Luanda redundou num fracasso, pois os responsáveis do Banco em causa, pura e simplesmente  recusaram-se a receber o Sr. Manuel Ramada.

Ele ao despedir-se para regressar a Ovar disse ao meu Pai, algo parecido com isto, Alberto, dou-te um determinado prazo para salvares a empresa, se conseguires, a gerência será tua!

O meu Pai, nos dias seguintes e depois de muito pensar no que deveria fazer, resolveu tentar marcar uma reunião com o tal sujeito do Banco.

Segundo o que o meu Pai me contou, no dia da reunião, mal entrou no Banco percebeu que estavam todos à espera dele e foi recebido com grande cortesia e simpatia. Quando chegou a vez de encarar o Presidente da instituição, o meu Pai, um pouco nervoso, explicou em que situação se encontrava o F. Ramada, a promessa de lhe darem a gerência e como pretendia recuperar a empresa! O tal sujeito ouviu-o atentamente, nunca o interrompeu e no final apertou-lhe a mão e disse “Sr. Alberto”, o empréstimo está concedido”. O meu Pai espantado, hesitou e perguntou, “mas e quais são as garantias?” e o Presidente do Banco respondeu, “nenhumas Sr. Alberto, basta-nos a sua palavra”.


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