“Ao meu pai Alberto Martins, que com a 4ª classe conseguiu ter uma vida profissional exemplar e em Luanda, a liderar a empresa F.Ramada Aços e Indústrias, provou que o mais importante no mundo dos negócios é a “palavra”, não o dinheiro!”
Esta dedicatória num dos
meus livros, ao meu Pai, tem uma história que só alguns conhecem, vou agora contá-la.
Não sei precisar em que ano,
mas deveria ter sido em 1970, estávamos nós em Luanda e a empresa “F.Ramada”
estava a passar uma fase complicada. O seu líder máximo em Ovar, à época, era o
Sr. Manuel Ramada, filho do dono e quem deu o nome à empresa, o Sr. Francisco
Ramada.
O Sr. Manuel Ramada tinha
pavor a andar de avião, mas a situação da empresa era crítica e por isso, lá teve
que ser, e meteu-se num avião e rumou direcção, Luanda.
Lá chegado, informou o meu
pai (que exercia as funções de sub-gerente), que a única solução seria reunir com o
responsável máximo de um determinado Banco e tentar obter um empréstimo
robusto.
Depois de vários dias e
várias tentativas, a ida a Luanda redundou num fracasso, pois os responsáveis
do Banco em causa, pura e simplesmente recusaram-se a receber o Sr. Manuel Ramada.
Ele ao despedir-se para
regressar a Ovar disse ao meu Pai, algo parecido com isto, Alberto, dou-te um
determinado prazo para salvares a empresa, se conseguires, a gerência será tua!
O meu Pai, nos dias
seguintes e depois de muito pensar no que deveria fazer, resolveu tentar marcar
uma reunião com o tal sujeito do Banco.
Segundo o que o meu Pai me
contou, no dia da reunião, mal entrou no Banco percebeu que estavam todos à
espera dele e foi recebido com grande cortesia e simpatia. Quando chegou a vez
de encarar o Presidente da instituição, o meu Pai, um pouco nervoso, explicou
em que situação se encontrava o F. Ramada, a promessa de lhe darem a gerência e
como pretendia recuperar a empresa! O tal sujeito ouviu-o atentamente, nunca o
interrompeu e no final apertou-lhe a mão e disse “Sr. Alberto”, o empréstimo
está concedido”. O meu Pai espantado, hesitou e perguntou, “mas e quais são as
garantias?” e o Presidente do Banco respondeu, “nenhumas Sr. Alberto, basta-nos
a sua palavra”.












































